Caros colegas, após a leitura do texto “Corpo no Teatro: primeiras reflexões”, da professora Renata Meira, fiquei analisando fatos acontecidos a minha volta e que se relacionam com o mesmo.
Todos sabemos que no Teatro é fundamental conhecer nosso corpo, tomando consciência de como ele se comunica. Por exemplo, agora, escrevo minhas impressões sobre o texto lido, sentada na minha cama, pés e bumbum apoiados no colchão, costas encostadas na parede, a Venenosa FM num volume agradável, apesar dos carros que passam pela Cesário Alvim, estou confortável e relaxada, meu pijaminha de malha é macio, leve, não me incomoda, está quente, mas a temperatura no quarto é agradável, pego na lapiseira de forma firme, o caderno está apoiado em meus joelhos... e relatando isso faço um trabalho de auto conhecimento, o que a grande maioria das pessoas não fazem.
Quem usa o corpo como instrumento de trabalho é privilegiado por ter orientações, leituras e atividades direcionadas que permitem ter consciência de sensações e emoções. Já a grande maioria que citei acima, devido às atribulações do dia-a-dia e do próprio pensamento da sociedade contemporânea, imposto pelos meios de comunicação ao nosso redor, apenas buscam transformar seus corpos seguindo padrões de beleza estabelecidos, então lotam academias e de forma mecânica, vazia, passam horas robotizados e padronizados, até sofrendo, para alcançar algo, muitas vezes inalcançável, desnecessário, fútil, sem “sintonia com as múltiplas dimensões humanas”.
Quem vive no meio rural e está desprovido das maravilhas da modernidade, e tem contato com a natureza, vive de forma mais harmônica e desenvolve maior conhecimento de seu corpo, talvez por receber “estímulos numerosos e imprevisíveis” do meio em que se encontram.
Na cidade, no meio rural, seria legal nos despirmos do excesso de civilização e pararmos para sentir nosso corpo; como é, que sensações são despertadas quando: ando de ônibus, tomo banho, escovo os dentes, como um cachorro quente, faço compras no supermercado, subo numa árvore, tiro leite da vaca, varro o terreiro, faço amor? Aproveitar “cada momento para sentir o corpo”, faz com que o “cotidiano se apresente como um exercício contínuo”.
(Alessandra Ramos Massensini)